Gilson Aguiar: 'novos eleitos terão velhos hábitos?'
Imagem ilustrativa/Pixabay/domínio público

Opinião

Gilson Aguiar: 'novos eleitos terão velhos hábitos?'

Por Gilson Aguiar em 06/12/2018 - 07:57
Player Ouça o comentário

Inegável o otimismo que estamos vivendo em relação ao governo de Jair Bolsonar a partir de 2019. As reformas estão sendo discutidas nas prévias da administração que começa em janeiro. A previdência é a que mais encanta o ambiente econômico. Porém há a realidade política.

O desafio de Jair Bolsonaro será negociar com o Congresso Nacional a aprovação de um pacote de reformas sem ter que ceder ou desfigurar o que se propõe. O equilíbrio entre os poderes tem este peso. Entre os desejos do Poder Executivo, o Legislativo é a medida da representação mais próxima da sociedade.

Se o presidente eleito foi fruto do desejo de mudança, o Congresso Nacional também tem uma dose de renovação significativa. Estas caras novas, contudo, vão conviver com os que permaneceram. Mais que isso, há um hábito político que permanece como prática mesmo com a mudança dos nomes dos deputados e senadores, mesmo com um novo presidente eleito.

A forma de se fazer política não muda somente com a pessoa do representante público, mas com o que o leva a se eleger. Os fatores que motivam a representação e vão incentivá-la no exercício da função. Se o personagem é novo e o enredo antigo, não haverá uma nova política, se não aparente.

Muitos dos que emergiram ao poder e representatividade nas eleições deste ano estão à procura de fazer diferente. Contudo, quantos? Outra pergunta, como vão reagir ao modelo político vigente, que dura há tanto tempo. O hábito faz o monge, a frase vale na lógica do poder.

Gosto sempre de dizer que quem se apaixonada pelos jogadores nunca entenderá o jogo. Quem vê cara, não vê coração. Estas afirmações servem para a relação que sustenta o poder. O que vem depois da escolha fala mais dos escolhidos do que as promessas de campanha.

Vamos pegar o exemplo do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, agora preso. O atual, Luiz Fernando Pezão, que também foi para a prisão. A prática continuou. Muitos acreditavam que o ambiente tinha mudado.

Não quero comparar o país com o Rio de Janeiro, por mais que não há exagero nisso. Apenas desejo demonstrar que estamos diante do desejo de superação uma forma de fazer política e temos que fazer o certo para atingir isso. Ser ingênuo ao considerar que tudo acaba na escolha feita em uma eleição pode nos custar caro. Já que parodiar inspira e ajuda a esclarecer, podemos estar trocando seis por meia dúzia.

Notícias da mesma editoria