Gilson Aguiar: 'o homem comum está desaparecendo'
Imagem ilustrativa/Pixabay/domínio público

Opinião

Gilson Aguiar: 'o homem comum está desaparecendo'

Por Gilson Aguiar em 21/03/2019 - 08:29
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Ironicamente, estamos assistindo ao fim do trabalho como condição vital da existência. É, pode parecer estranho, mas em grande parte nossa forma de viver e ver o mundo tem perdido o trabalho como referência. A nossa função econômica, a condição de nosso sustento, o labor que nos identificava, agora perde importância.

Nos identificamos por outras coisas. Falamos de nossos gostos por roupas, música, lugares, alimentos, programas e séries de TV, enfim, tudo, menos ao que tudo sustenta, o trabalho. A identidade com a atividade profissional já não é mais uma extensão de nós. Agora, é um detalhe que em muitos casos denigre nossa humanidade.

O ser humano médio desapareceu. Aquele se comum que trabalha e busca por ele manter-se na condição de cidadão. A estabilidade funcional que permitia ao longo da vida obter, ou ter acesso, ao que era fundamental. O que na economia se define como a mão de obra remunerada.

O mundo digital fez desaparecer de nossa frente as pessoa que produzem a vida. As agências bancárias diminuíram significativamente seus funcionários nestes últimos 35 anos. As coisas que usamos já trazem em sua produção uma grande parte do trabalho digital, da interferência da rede mundial de computadores. Muitos dos programas, dos chamados softwares, ganharam espaço na produção das coisas, nos serviços as pessoas, no dia a dia.

Da mesma forma, o governante se comunica agora pelas redes sociais. Fala de si no ambiente digital. Vivemos o governo das imagens. Afastado do mundo real e aparentemente mais próximo da relação particular. A intimidade falsa. Acreditamos estar vivendo uma participação efetiva, mas, na prática, nada praticamos. Não agimos e não estamos vendo ações reais e sim digitais.

Enfim, se o trabalho deixou de ser uma identidade humana, me parece que cada um de nós também se pergunta: “O que nos identifica?” Acredito que como as coisas que todos os dias entram e saem de nossa vida como objeto de desejo, estamos preocupados de mais com nossos prazeres diários para entendermos quem somos. Muito menos o que nos sustenta.

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