Praça da Catedral de Maringá ganha banco vermelho gigante
Um cidadão de meia idade que transitava pela Praça da Catedral, sob um sol de rachar mamona no meio da manhã desta quarta-feira, 26, ficou curioso ao ver uma aglomeração de cerca de 40 pessoas no entorno de um grande pano preto cobrindo um objeto até então, para ele, não identificado. E quis saber do que se tratava.
“Vai ser inaugurado um banco vermelho, símbolo da campanha de combate ao feminicidio, e a cor representa o sangue de todas as vítimas”, explicou uma das mulheres presentes ao ato, que teve à frente a vice-prefeita de Maringá, Sandra Jacovos, a secretária municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, Olga Agulhon, e a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Donária Rizzo.
O banco, de 2 metros de altura e 4m de comprimento, só foi descoberto depois dos discursos. E uma das frases expostas no local dizia: “O Banco Vermelho Gigante nos lembra de uma coisa maior ainda: a luta pelo Feminicidio Zero”. Pois o ZERO almejado pela campanha já é uma realidade em Maringá. O último feminicidio na cidade ocorreu em 2023. No ano passado e neste, não houve registro.
“Mas as tentativas de feminicidio continuam ocorrendo”, observou o major da PM Luiz Moreira, que está à frente da Rede de Proteção à Mulher de Maringá. “Este ano foram identificadas 12 tentativas, uma delas no sábado passado”, acrescentou. Já a secretária Olga Agulhon lembrou que o Brasil é o 5º país do mundo que mais mata mulheres, entre 196 nações e que a cada 6 horas uma mulher é vítima de feminicidio no país.
Maringá, segundo a secretária municipal, é o primeiro município do Paraná a aderir o projeto Banco Vermelho, que é amparado por lei federal, e o segundo entre os três Estados do Sul. Em Curitiba também há um Banco Vermelho, mas foi uma iniciativa da Justiça Federal do Paraná. O projeto Banco Vermelho, Feminicidio Zero nasceu na Itália, em 2016, e foi implantado no Brasil em 2023.
Duas mulheres baianas, Andrea Rodrigues e Paula Limongi, que tiveram amigas vítimas de feminicidio, fundaram o Instituto Banco Vermelho, que recentemente recebeu o título de utilidade pública, por lei federal. A expectativa das lideranças do movimento em Maringá acreditam que as pessoas ao passarem pela Praça da Catedral e se depararem com o banco vermelho tenham a mesma reação de curiosidade que o tal cidadão de meia idade. E vá um pouco adiante: “Sente e reflita. Levante e aja”.