Analfabetismo é uma ameaça ao futuro
Imagem ilustrativa/Pixabay/domínio público

Opinião

Analfabetismo é uma ameaça ao futuro

O comentário de Gilson Aguiar por Gilson Aguiar em 03/06/2020 - 09:02

Pensamos que o analfabetismo não é um problema no país. Que ficou para trás, lá nos tempos do Império (1822 a 1889) quando ele atingiu 85% da população brasileira. E este índice só foi reduzido significativamente no Século XX, a partir de 1930 a 1990. Uma campanha nacional de alfabetização de adultos ganhou força no país. O Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) é o exemplo emblemático para a alfabetização de adultos.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem hoje 6,8% de sua população analfabeta. São mais de 11,3 milhões de pessoas. Dois terços são mulheres. Entre os negros e pardos o analfabetismo é maior, 9,1%. Entre brancos é de 3,9%. Quanto mais velhos, mais analfabetos. Entre os que tem mais de 60 anos brancos, o índice é de 10,3%, entre pretos e pardos é de 27,5%. 

A diferença regional também se desenha entre os analfabetos, como em regra nos principais problemas que assolam o país. No nordeste o índice é grave, chega a 14,5% da população, enquanto que no norte é de 8%. Uma desigualdade que expressa os limites das oportunidades regionais e a manipulação social.

Não podemos esquecer que a falta de instrução é um problema não apenas para as pessoas que não sabem ler e escrever. Acaba por se tornar um problema nacional. Limita o desenvolvimento econômico, trava políticas sociais, prejudica a prevenção e o tratamento de doenças. Condena o futuro.

Porém, não se pode esquecer de outro mal que fica camuflado na superficialidade do potencial de leitura e escrita, o analfabeto funcional. Estes são muitos. A dificuldade de escrever e entender o que lê atinge praticamente um terço da sociedade brasileira. Complica a orientação da população para políticas públicas, qualificação de mão de obra, combate a violência e doenças graves, caso da dengue e o coronavírus. 

Temos que ficar mais atentos a educação. Sem ela, não podemos ter um campo fértil para plantar conhecimento, gerar consciência e colher soluções. Nada cresce em um campo estéril da falta de educação. Esta também deve ser uma causa de todos, o combate ao analfabetismo pleno ou funcional. Compre esta ideia e colabore para a dar às pessoas o direito à liberdade de fato.