Maringá: uma cidade militarista?
Victor Simião/CBN Maringá

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Maringá: uma cidade militarista?

Cidade por Victor Simião em 22/02/2019 - 18:30

Colégios, secretaria de segurança e até veiculo militar de passeio são alguns itens que remetem às forças armadas. CBN ouviu políticos para entender o que eles acham sobre o momento da cidade.

No fim de 2018, um veiculo militar transitava pelo centro da cidade. Regularmente, todos os dias. Não era um anuncio de golpe, muito menos uma operação: era um automóvel utilizado para o passeio de natal. Em vez de soldados armados, famílias munidas com celulares. Mas de longe dava para ver a cor verde-oliva do caminhão REO modelo de 1963.

Mesmo que simbolicamente, o veiculo faz parte de um movimento de avanço do militarismo pelo Brasil. Nem mesmo Maringá está fora disso. Repare: com mais de sete décadas de vida, somente agora a cidade recebeu dois colégios militares – um público; um privado. Além disso, a Prefeitura quer armar a Guarda Municipal, e há coronéis da reserva da PM na gestão do executivo municipal - e sem contar, claro, o caminhão verde-oliva no natal.

O prefeito Ulisses Maia, do PDT, em mais de uma ocasião em que a CBN esteve presente, ressaltou o fato de ter três militares em seu governo. São os secretários de Patrimônio, Controladoria Geral e Segurança Pública.

Em uma visita do comandante da 5ª Região Militar do Exércio a Maringá no fim do ano passado, ele até brincou. Disse que tinha sido mais rápido que o então presidente eleitor Jair Bolsonaro na utilização de militares no primeiro escalão.

No começo deste ano, questionado pela CBN se a gestão era adepta ao militarismo, Ulisses Maia disse que não. Os coronéis foram escolhidos pela competência, disse.

A gestão atual do executivo municipal começou em 2017. E até o meio do ano passado, não tinha uma secretaria específica para a segurança pública. Agora tem. A pasta foi criada e tem 18 milhões no orçamento em 2019. Entre as atribuições dela estão a gestão da Guarda Municipal e a integração das e segurança.. O comando é de Antonio Padilha, coronel da reserva da Polícia Militar que atuou por anos no 4º Batalhão. Ele avaliou que a prefeitura não está militarizada. Figura bem aceita no alto Comando da Polícia Militar, Padilha falou sobre a chegada dos colégios militares em Maringá. A sociedade quer mais respeito, e esse tipo de escola pode auxiliar, avaliou.

 

Há poucos dias o projeto para armar a Guarda Municipal entrou em pauta na Câmara de Maringá. E lá o debate vai ter alguma resistência. A casa tem dois vereadores do PT. Um deles é Carlos Mariucci, presidente da sigla em Maringá. Ele não vê um avanço do militarismo na cidade. Quanto aos colégios militares, ele imagina que vai ser bom para educação e disciplina. Em relação ao armamento da Guarda, Mariucci falou que vai ter debate inclusive com o prefeito, se for o caso.

Ulisses Maia foi eleito como grupo de oposição a Silvio Barros. Na eleição, contou com apoio do PT, mesmo que de forma não declarada. Historicamente, o Partido dos trabalhadores não é favorável ao militarismo, à militarização ou algo do gênero. Questionado se o fato de ter militares no governo criaria algum embaraço com o Partido dos Trabalhadores, Maia disse que a gestão fica acima da ideologia.

Maringá ainda conta com escola de formação da Polícia Militar e também o comando regional da PM – além de outras forças de segurança.