A ilusão dos números e a realidade da doença
Imagem ilustrativa/Pixabay/domínio público

Opinião

A ilusão dos números e a realidade da doença

O comentário de Gilson Aguiar por Gilson Aguiar em 17/06/2020 - 11:20

Você já deve ter ouvido falar que certas pessoas só se dão conta da situação que estão vivendo quando elas sentem na própria pele o problema. Isto é uma realidade. Em grande parte, a falta de compreensão da gravidade do que estamos vivendo só se torna um fardo para certos seres humanos na dimensão de seu envolvimento com a crise. 

Não por acaso, os números crescentes de mortes por Covid-19 tem crescido significativamente no país e no Paraná. Em grande parte, esta contaminação deve colocar em risco a estrutura de saúde. A contaminação acelerada leva a procura de leitos nos hospitais, uso de UTIs. Nestas horas há que se fazer escolhas urgentes e nem sempre populares.

As medidas de afrouxamento estão tomando um número grande de cidades do país. Uma economia que precisa ser movimentada com cautela para que não afete ainda mais a vida das pessoas. Atos equilibrados e inteligentes são necessários e não podem ser fundados na segmentação ou pessoalidade. Atender a alguns nem que o preço que a maioria pague seja elevado e ato político e imediatista. Tem muita gente morrendo por causa disso.

Ontem foi o dia de bater recordes de infectados no Paraná. 34% foi o índice de crescimento da propagação da doença. 841 novos casos no Estado e 34.918 no país. Os óbitos não ficaram atrás, trinta paranaenses morreram e no Brasil foram 1.282 mortes. Chegamos ao assustador número de mais de 45 mil pessoas que perderam a vida no território nacional. 

Agora, cada vez mais, os brasileiros que vivem considerando que números são apenas números, estão conhecendo alguém que foi vítima da doença. Foi infectado ou infelizmente veio a óbito. A dor maior de quem perdeu alguém mais próximo e descobriu que o mal existe e não é apenas uma gripezinha ou uma invenção da imprensa ou de governadores para derrubar o governo e promover o caos. 

Não sou defensor de lockdown, de paralisação da economia. Me entristece ver o aumento do número de brasileiros infectados e os que agora saem às ruas para pedir dinheiro. Sei que a miséria aumentou. Sei que muitos perderam renda. Ninguém é tolo para não saber disso. Se é consciente do preço que a pandemia nos cobra todos os dias. Porém, a maior cobrança neste momento é de responsabilidade. 

Se alguns consideram que há exagero e que tudo não passa de uma grande mentira, uma teoria da conspiração, e querem continuar levando sua vida normalmente, logo terão que conviver com o preço de ver pessoas a sua volta contaminadas e contribuir para o aumento de óbitos. E aí entender que se os números não passam de abstração, o que eles medem é algo bem real. Não por acaso, em grandes catástrofes, as pessoas, infelizmente, viram números.