A polêmica do tratamento precoce ou profilático
Imagem Ilustrativa | Foto: Geraldo Bubniak/Agência Estadual de Notícias

Saúde

A polêmica do tratamento precoce ou profilático

Saúde por Luciana Peña em 25/03/2021 - 09:53

Em Cascavel, um grupo de médicos montou um centro de tratamento para milhares de pessoas com o  chamado kit Covid. O secretário de Saúde de Cascavel diz que o efeito sentido foi um alívio nas unidades de saúde que estavam sobrecarregadas por causa da demanda. A Sociedade Brasileira de Infectologia alerta para os casos de pacientes com agravamento de sintomas em função da toxicidade dos medicamentos e até casos de necessidade de transplante de fígado. 

Nessa quarta-feira, durante o anúncio da criação de um comitê nacional de enfrentamento da pandemia, o presidente da República Jair Bolsonaro disse que não há remédio para a Covid-19, mas citou o tratamento precoce.

Mas afinal, o que é o tratamento precoce ou tratamento profilático? Um tema polêmico que divide opiniões, inclusive entre os médicos.

Muitos prescrevem aos pacientes o chamado Kit Covid, composto de hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina.

Esta semana, a AMB, Associação Médica Brasileira, divulgou um boletim informativo em que diz o seguinte:

“Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da Covid-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida.”

Segundo reportagem da Gazeta do Povo, algumas entidades médicas desaprovaram a nota da AMB porque a associação citou as entidades sem ter o aval de todas as instituições.

A AMP, Associação Médica do Paraná, também emitiu um comunicado oficial em que diz:

“A AMP segue o que indicam as Sociedades de Especialidades, que são pautadas pelos estudos científicos, deixando claro que a não recomendação é diferente da contraindicação no uso de medicamentos.

Acima de tudo, é da competência e arbítrio do médico, em comum acordo com o paciente previamente esclarecido, estabelecer tratamentos ditos ‘off label’, ou seja, uso do medicamento em casos não indicados na bula.

Em Cascavel, um grupo de 13 médicos montou o Centro de Atendimento à Covid-19 e com o apoio financeiro de 160 empresários comprou os medicamentos para distribuição gratuita aos pacientes que procuram o atendimento. Foram mais de 2500 do dia 5 de março até a última terça-feira, dia 23.

O imunologista Jorge dos Santos, um dos médicos envolvidos no projeto, explica que o atendimento é gratuito e não tem ligação com o Poder Público. [ouça o áudio acima]

Ivermectina é um dos comprimidos fornecidos, inclusive para familiares do paciente que chega com sintomas respiratórios. [ouça o áudio acima]

Pacientes com saturação abaixo de 90 são encaminhado para uma unidade de saúde.
Houve uma redução no número de casos diários de coronavírus confirmados em Cascavel. No dia 5 de março eram 954 confirmações. No dia 19 de março, 580. A CBN entrou em contato com o secretário de Saúde de Cascavel, Miroslau Bailak. Ele disse que não é possível afirmar qual a razão da queda de casos.

Em entrevista à CBN Cascavel, o secretário disse que a única certeza é que o fluxo de pacientes nas unidades de saúde diminuiu com a abertura do Centro de Atendimento à Covid-19. [ouça o áudio acima]


A Sociedade Brasileira de Infectologia é contra o uso do Kit Covid. O infectologista Marcelo Simão Ferreira, que foi presidente da SBI e é professor da Universidade Federal de Uberlândia, faz um alerta. Pacientes que usam os medicamentos do kit estão chegando aos hospitais em estado grave e em alguns casos, devido à toxidade medicamentosa, precisam recorrer a um transplante de fígado. [ouça o áudio acima]

A CBN pediu uma entrevista com o secretário de Saúde de Itajaí e não obteve retorno.