Covid-19: Número de infectados pode ser até 7 vezes maior em Maringá
imagem ilustrativa/foto: Agência Brasil

Novo coronavírus

Covid-19: Número de infectados pode ser até 7 vezes maior em Maringá

Saúde por Lethícia Conegero/GMC Online em 19/06/2020 - 18:06

O número de pacientes que foram infectados pelo novo coronavírus pode ser até 7 vezes maior do que o dado oficial divulgado pela Prefeitura de Maringá. A estimativa é de um estudo desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a Universidade Estadual de Maringá (UEM), UniCesumar e Uningá, e foi divulgada nesta semana pelo município, no 11º boletim epidemiológico sobre a covid-19.

O estudo consiste na coleta de amostras em residências e aplicação de questionários para entender o comportamento do novo coronavírus em Maringá. Até agora, foram aplicados 449 testes e questionários, divididos em dois ciclos, sendo que no primeiro todos os testes deram negativo e no segundo, três haviam sido positivados.

Após o segundo ciclo, estima-se que 0,67% (± 0,20%) dos habitantes de Maringá apresentam anticorpos contra o novo coronavírus. Ao estimar esse percentual e comparar aos números do boletim emitido pela Secretaria Municipal de Saúde no dia 3 de junho (data do início da coleta do segundo ciclo), estima-se que o número de infectados pode ser até 7 vezes maior que o número de casos confirmados pelo município. Até o dia 3, haviam 429 positivados no município, dos quais 239 já haviam vencido a doença.

Essa é uma estimativa inicial, uma vez que menos de 50% dos testes foram aplicados até o momento. No total, 950 moradores devem ser testados até o fim da pesquisa. Com o aumento amostral, no fim dos 4 ciclos, a pesquisa atingirá um nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,5%.

Análise

Como Maringá pode ter até 7 vezes mais positivados, há também mais pessoas imunizadas contra a covid-19, e essas pessoas não apresentaram os sintomas da doença, como explica a médica infectologista, Simone Bonafé Gianotto.

“Como ainda não temos vacina, o único jeito de adquirir a imunidade é porque foi infectado de alguma forma. O fato de termos mais positivados mostra que temos um número de assintomáticos muito alto, ou seja, pessoas que entraram em contato com o vírus, tiveram a doença, e nem sabiam. Cerca de 80% dos casos de covid-19 serão leves ou assintomáticos, o que explica terem pessoas com sorologia positiva, porém sem terem tido qualquer sintomatologia”, explica.

Mesmo assim, os cuidados continuam, já que os assintomáticos também transmitem o novo coronavírus. “O assintomático pode transmitir a doença e existe a possibilidade da pessoa que se contaminar desenvolva doença grave com risco de morte. Por isso, mesmo naqueles que não têm sintomas, os cuidados não podem ser deixados de forma alguma”, destaca a infectologista.

O governador do Paraná, Ratinho Júnior, disse em vídeo publicado nesta quarta-feira, 17, que os meses de junho e julho serão o período mais difícil de enfrentamento do coronavírus no estado. Também foi o que afirmou o médico Daoud Nasser, vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), em entrevista à rádio CBN. E a infectologista Simone Bonafé Gianotto reforça.

“Até então, era mais comum nas grandes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, e capitais do nordeste. Agora, a infecção chegou com força total no Paraná. Em Maringá, nós ainda estamos em uma situação mais confortável, mas se a gente não se cuidar, logo não estaremos mais. E a preocupação não é só com Maringá, porque a cidade responde por toda a região. Nas cidades menores, se o paciente fica grave, ele vem para Maringá, porque eles não têm UTI para absorver”, frisa.

Como o novo coronavírus se propaga?

Recentemente, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) atualizou a página “Como a covid-19 se espalha” no seu site para esclarecer informações sobre os tipos de propagação do vírus. Veja os possíveis meios de disseminação do vírus.

De pessoa para pessoa

O vírus pode ser transmitido entre pessoas que estão em estreito contato umas com as outras (até 2 metros de distância), por meio de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala. Essas gotículas podem pousar na boca ou no nariz de pessoas próximas ou possivelmente podem ser inaladas nos pulmões. Essa é a principal maneira de contágio.

Superfícies ou objetos contaminados

Segundo o CDC, com base em dados de estudos de laboratório sobre a covid-19, também pode ser possível que uma pessoa possa adquirir a doença tocando em uma superfície ou objeto com o vírus e, em seguida, tocando sua própria boca, nariz ou possivelmente seus olhos.

Todos devem manter a higienização correta das mãos, assim como de encomendas que recebem em casa e produtos adquiridos em estabelecimentos como supermercados e farmácias. Também é importante limpar objetos utilizados diariamente, como chaves e celulares. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda ainda que a pessoa sempre lave as mãos após tocar em objetos compartilhados ou que possam estar contaminados.

Transmissão de animais para pessoas

Ainda segundo o CDC, é baixo o risco de o vírus se espalhar de animais para humanos, mas existe. Isso inclui cães e gatos que estão infectados com o vírus que causa a covid-19, principalmente após contato próximo com pessoas infectadas.

Cuidados necessários contra a Covid-19

Confira as principais medidas para diminuir a propagação do novo coronavírus:

Manter uma boa distância social (aproximadamente 2 metros).
Lavar as mãos frequentemente com água e sabão. Se não houver água e sabão, usar um desinfetante para as mãos que contenha pelo menos 60% de álcool.
Limpar e desinfetar, rotineiramente, as superfícies frequentemente tocadas.
Usar máscara facial em ambientes públicos.

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