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Em carta, comunidade venezuela de Maringá fala sobre opressão e repudia manifestação a favor de Maduro
Cidade por Luciana Peña em 03/02/2026 - 15:52A “Comunidad Venezolana de Maringá”, composta por aproximadamente 600 refugiados venezuelanos, enviou à redação da CBN Maringá uma carta de repúdio a um evento programado para esta terça-feira (3) na cidade.
O evento é organizado por partidos políticos e sindicatos contra a captura de Nicolás Maduro, considerada pelos manifestantes como uma agressão imperialista dos Estados Unidos à Venezuela.
O protesto será às 18h na Praça Raposo Tavares, no centro de Maringá, e marca um mês da captura de Maduro.
Na carta de repúdio, a comunidade venezuelana diz que “celebra a captura de Maduro e de líderes associados à repressão, e espera que a justiça prevaleça sobre crimes cometidos contra civis.”
No texto, os venezuelanos criticam ainda a falta de mobilização semelhante em relação às prisões arbitrárias do governo Maduro.
“(...) enquanto muitos hoje erguem cartazes em defesa de um acusado de violar direitos humanos, ninguém parece se mobilizar com a mesma intensidade pelos massacres, prisões arbitrárias e violência que marcaram os protestos em diferentes anos na Venezuela — como em 2012, 2014, 2017, 2019 e 2024 — quando milhares de venezuelanos, incluindo jovens estudantes e civis, foram feridos, detidos ou mortos simplesmente por exercerem seus direitos de protestar e buscar liberdade.”
Leia a carta na íntegra:
“Carta de Repúdio
Nós, cidadãos venezuelanos que moramos em Maringá e sobreviventes da grave crise vivida em nosso país, repudiamos com veemência o protesto convocado em apoio ao ditador Nicolás Maduro. É profundamente triste e doloroso ver pessoas saírem às ruas em nome dos “direitos humanos” para pedir a libertação de Nicolás Maduro, um ditador que viveu com privilégios enquanto o povo venezuelano sofreu repressão e violação de seus direitos civis.
Durante anos, o regime de Maduro e facções aliadas foram amplamente documentados por organizações internacionais por uso excessivo de força, prisões arbitrárias, detenções motivadas politicamente e mortes de manifestantes e civis em protestos contra o governo. Relatórios de direitos humanos registraram detenções arbitrárias, uso desproporcional da força e mortes em protestos após as eleições de 2024 e em outros episódios de mobilização popular, bem como abusos por forças estatais ou grupos ligados ao governo.
É ainda mais desconcertante constatar que, enquanto muitos hoje erguem cartazes em defesa de um acusado de violar direitos humanos, ninguém parece se mobilizar com a mesma intensidade pelos massacres, prisões arbitrárias e violência que marcaram os protestos em diferentes anos na Venezuela — como em 2012, 2014, 2017, 2019 e 2024 — quando milhares de venezuelanos, incluindo jovens estudantes e civis, foram feridos, detidos ou mortos simplesmente por exercerem seus direitos de protestar e buscar liberdade. Organizações independentes estimam que milhares de pessoas foram detidas por motivos políticos na última década, e inúmeros casos permanecem sem justiça ou responsabilização.
Exigimos respeito à nossa dor e à nossa história: defender os direitos humanos significa lembrar e honrar a memória dos que foram mortos, presos ou expulsos de suas casas, e não celebrar quem esteve associado a episódios de repressão e sofrimento do seu próprio povo. Chamamos à reflexão e à empatia: defender direitos humanos, dignidade e justiça não é apenas um ideal abstrato — é reconhecer a dor real de um povo que buscou liberdade, sofreu perseguição e continua enfrentando as consequências dessa crise histórica.
Que a voz dos venezuelanos exilados seja ouvida com respeito e solidariedade, e que eventos públicos levem em conta não apenas opiniões políticas, mas também o sofrimento humano e histórico que muitos carregam. Além disso, é preciso deixar claro que o povo venezuelano celebra a captura de Maduro e de líderes associados à repressão e espera que a justiça prevaleça sobre crimes cometidos contra civis. Nós esperamos que aqueles responsáveis por abusos sejam responsabilizados de acordo com o respeito aos direitos humanos e que, finalmente, o povo da Venezuela seja completamente livre para viver com dignidade.
Atenciosamente, A comunidade de Venezuelanos residentes em Maringá – PR.”
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