Gilson Aguiar: 'privatização não é imoral'
Imagem ilustrativa/Pixabay/domínio público

Opinião

Gilson Aguiar: 'privatização não é imoral'

Por Gilson Aguiar em 05/12/2018 - 09:05
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Prefeitura de Maringá tem um gasto com pessoal de 49,27%, acima do limite alerta que é de 48,6%. Fernando Chiqueto, secretário da Fazenda do Município de Maringá afirma que estão sendo feitos estudos para reduzir os gastos do poder público.

O secretário afirma que os gastos da prefeitura com recursos humanos são constantes e em diversos setores. O que é o maior peso nas despesas orçamentárias. Os recursos para o ano que vem são de R$ 1,7 bilhão de reais. Números significativos para uma cidade do porte de Maringá. Mas as despesas são excessivas.

A participação do Estado em diversos setores da economia colabora muito para a ampliação constante dos gastos públicos. É preciso uma racionalização da administração de recursos e uma redução de pessoal. É possível fazer isso sem perder qualidade dos serviços e, em alguns casos, melhorar o atendimento à população.

No Brasil, e em Maringá não é diferente, há uma resistência a privatização porque se considera que vai se fazer um benefício a empresas, políticos, com uma barganha de um serviço essencial em troca de dinheiro e privilégios. É a velha história da tradição da falta de caráter que nos faz manter a imoralidade e os excessos como segurança.

Perdemos de economizar recursos e incentivar o mercado com a participação de empresas privadas nas áreas de atuação do Estado por considerar que a e privatização é sinônimo de corrupção. Não é.

O que existe no Brasil é uma tradição patrimonialista e clientelista que associa o capital privado ao poder público. Os representantes públicos trocam sua ascensão no poder com favorecimento de empresários ou setores econômicos. As negociatas que ocorrem nas várias instâncias do poder e que volta e meia se transformam em manchetes dos noticiários dos jornais.

A velha forma de fazer política que gerou o hábito do porque muitos se interessam pela carreira como homem público desvirtua a privatização. Um exemplo é a busca de recursos para bancar campanhas eleitorais onde se negocia superfaturamento de obras e compra de produtos e serviços para financiar as disputas eleitorais.

O capitalismo no Brasil nunca foi concorrência de forma ampla. O estado sempre controlou o mercado em setores vitais para explorar ao máximo os consumidores e tirar o máximo proveito dos lucros e desvio que os recursos públicos permite.

Não há solução para a redução dos gastos públicos pela matemática financeira. Ela só será possível pela ruptura com os vícios e a má intensão que desvirtua a função dos Estado e dos serviços que ele presta.

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