O dever de ouvir todos os lados
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O Assunto é Política

O dever de ouvir todos os lados

Por Diniz Neto em 20/06/2019 - 10:23
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20 de junho, quinta-feira.

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo começou no século XIII, mais precisamente em 1269. A Igreja Católica viu a necessidade das pessoas sentirem a presença real de Cristo.

A história envolve o padre Pedro de Praga, que vivia angustiado por dúvidas e buscava a certeza da presença de Cristo na Eucaristia.

A festa é tradicional e em alguns lugares é comemorada com belos tapetes de serragem. Este é o caso de Maringá.

 PREFEITO RECEBE IMPRENSA
O prefeito de Maringá, Ulisses Maia, realizou ontem o seu “Bate Papo com a Imprensa”. 
Foram tratados diversos temas, como:

Refis - que o prefeito considerou um sucesso.

Informatização – com projetos importantes em andamento. O prefeito previu importantes avanços no governo eletrônico, com mais serviços e eficiência no atendimento ao contribuinte pela internet.
Deve ser feita uma licitação para mudança do portal da Prefeitura, realmente muito ultrapassado, um entrave às ferramentas de TI e governo eletrônico.

Projetos – estão em elaboração 93 projetos para obras. Dentre eles a revitalização da praça Raposo Tavares e o eixo monumental, com início de obras antes da revitalização de outras praças.

Viadutos do Contorno Norte – Notícia excelente: os projetos já está no DNIT. A prefeitura espera a aprovação e liberação para licitação ainda em 2019, com o imediato início das obras de construção da segunda pista dos viadutos.

Iluminação pública – O prefeito não entrou em detalhes, na coletiva. Disse que há ofertas de recursos para financiamentos de obras e investimentos. 
Aprofundando, há um projeto em andamento que tem como objetivo uma ampla modernização da iluminação pública de Maringá com lâmpadas de LED. Se finalizado, mudará o ambiente da cidade, à noite. Será fácil perceber a mudança. O pagamento do investimento pode sair da própria economia do novo sistema.

 

MORO NO SENADO
Gilson Aguiar fez um comentário inteligente e oportuno, separando as questões pessoais e institucionais da operação Lava Jato.

O ex-juiz federal Sérgio Moro permaneceu durante quase nove horas falando com os senadores, respondendo um a um os questionamentos.

Algumas coisas são importantes: ele se antecipou a uma convocação.

Ele foi objetivo e fluente, mostrou confiança e convicção nas suas respostas.

Finalmente, respondendo a uma pergunta de um senador de oposição, devolveu outra pergunta: o senhor defende então que, com base nessas conversas publicadas, parcialmente, com possíveis edições e outras manipulações, a “Lava Jato” deve ser considerada ilegal, tendo seus efeitos suspensos, os presos soltos e o dinheiro recuperado devolvido aos corruptos?

Moro também voltou a afirmar que nas conversas divulgadas ele não viu nenhuma prova de conluio entre ele e os procuradores da “Lava Jato”.

Explicou, várias e repetidas vezes, como funciona o processo judiciário, no qual os juízes, por praxe e dever de ofício conversam com promotores e advogados de defesa.

Os senadores de oposição, sempre muito contundentes nos seus ataques ao governo e aos ministros foram respeitosos e prudentes com o ministro Sérgio Moro. Prova de respeito e de reconhecimento de que o ministro sabia muito bem o que falava e dominava amplamente o cenário conhecido e ainda oculto da corrupção e do crime organizado, no Brasil.

UMA SEMELHANÇA: OUVIR TODOS OS LADOS
Ontem, assistindo partes do depoimento e dos questionamentos, que tiveram como pontos altos as participações do senador Oriovisto Guimarães (Podemos) – foi muito bem e mostrou cultura e raciocínio – e do senador Alvaro Dias (Podemos) – fala de quem é experiente e luta contra a corrupção e os desmandos no Senado, desde 1999, defensor da refundação da República (concordo com essa necessidade), percebi uma coisa.

Está em discussão a ética e a imparcialidade de um juiz.

Pensei na profissão de jornalista. Vivemos, todos os dias, dilemas éticos e de imparcialidade.

Recebemos as informações. Temos que conferi-las, verifica-las. Como isso é possível?

Ouvindo as partes envolvidas. Só depois disso podemos dar a nossa “sentença”, no caso, fazer a nossa reportagem ou mesmo o nosso comentário.

Não tinha pensado sobre isso antes. Uma similaridade que faz todo o sentido.

Dependemos dos juízes, cidadãos e cidadãs, precisamos do Poder Judiciário e, se ele tem falhas, precisamos defender que sejam corrigidas pela via institucional.

Com certeza também tem grandes juízes, corretos, estudiosos, corajosos, dedicados. A maioria, aliás, ao meu ver. Poucas vezes lembrados, citados, aplaudidos, reverenciados, apesar da sua importância para todos e para o conjunto da sociedade, em todos os seus níveis, do local ao nacional.

Assim como os jornalistas. Há importantes, corretos e dedicados jornalistas, fiéis à regra de ouvir todos os lados e de reproduzir fatos e opiniões com base em fatos devidamente apurados.

Um jornalista ético e responsável pode cometer erros? Pode. Daí os diretos de resposta, os espaços ao contraditório e, quando necessário e justo, as retratações.

Um juiz correto, ético e responsável pode cometer erros? Infelizmente pode. Daí a possibilidade de recursos, em várias instâncias, com decisões por colegiado.

Mas confesso que entendi claramente essa rotina dos fórum e tribunais, de ouvir as partes como preparação fundamental para as sentenças. Assim como os jornalistas, na preparação das suas reportagens e comentários responsáveis. 

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