Planta que nasceu de semente da China em Maringá será destruída, diz Adapar
Planta que está crescendo e gerando sementes em quintal de Maringá Foto: Silvia Rufino

Monitoramento

Planta que nasceu de semente da China em Maringá será destruída, diz Adapar

Cidade por Fabio Guillen/GMC Online em 29/09/2020 - 18:18

A planta que nasceu de semente da China em um quintal de Maringá foi coletada para análises nesta terça-feira (29), pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). A informação é da moradora da casa, Silvia Rufino.

Segundo o gerente de sanidade vegetal da agência, Renato Rezende Young Blood, todas as plantas do quintal serão levadas para Curitiba. 

Além disso, o objetivo dos técnicos da Adapar é coletar mudas da planta que estão nascendo pelo quintal e amostras de solo, para avaliar se houve algum tipo de contaminação. Segundo Blood, será feito um trabalho de monitoramento do local. 

“A propriedade será fiscalizada por um tempo para que possamos verificar a possibilidade do nascimento de novas sementes. Elas serão totalmente fotografadas como folhas, ramos, para fazer a identificação morfológica da planta. Tudo o que tiver no quintal será coletado e lacrado. Vai sair do quintal e vai direto para o laboratório junto com as amostras de solo”, explicou o gerente de sanidade vegetal da Adapar. 

As plantas e o solo coletados no quintal de Maringá serão encaminhados para o laboratório da Adapar, em Curitiba. Após as análises, tudo será destruído dentro do próprio laboratório, segundo Renato Rezende Young Blood. 

“Posteriormente essas plantas serão eliminadas no laboratório com autoclave. É um sistema que parece uma panela de pressão a 150 graus mais ou menos. Esteriliza tudo e mata a planta. Assim não corremos nenhum tipo de risco”, disse. 

Uma amostra da planta nascida de semente da China já havia sido enviada para a Adapar, em Curitiba, mas ainda não se tem resultados. Agora, os técnicos farão a coleta de todas as plantas que nasceram no quintal. 

Planta misteriosa está crescendo e soltando sementes no quintal de Maringá 

A planta está crescendo e se reproduzindo desde o fim do ano passado, quando a dona de casa Silvia Rufino, de 45 anos, recebeu as sementes pelos Correios e plantou em um balde. 

Ela disse ao GMC Online que achou interessante e decidiu plantar. As sementes nasceram e a planta é bem diferente. 

“É uma planta estranha. Ela não dá flor. As sementes chegaram ano passado pelos Correios em nome do meu marido. Como ele era agricultor eu achei que era algo pra gente plantar e eu decidi colocar aqui em casa em um balde. Nasceu muito rápido. A planta cresceu mas ela não tem nada demais. Parece um pé de mostarda”, disse Silvia. 

A moradora está aguardando a visita dos técnicos da Adapar para coletar as plantas e enviar para o laboratório. 

Ministério da Agricultura já recebeu 36 pacotes com sementes de países asiáticos 

Sementes que estão sendo enviadas para o Ministério da Agricultura – Foto: Adapar
Sementes que estão sendo enviadas para o Ministério da Agricultura – Foto: Adapar

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou, na tarde desta terça-feira (29), que já recebeu 36 pacotes, originários de países asiáticos, como China, Malásia e Hong Kong. 

Os pacotes são de oito estados diferentes: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo. As sementes do Paraná estão a caminho do Ministério da Agricultura, segundo a Adapar. 

Até o momento não é possível apontar os riscos envolvidos, segundo o Mapa. O material foi enviado para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) de Goiânia para as análises técnicas.

Segundo o Ministério da Agricultura, a entrada de sementes no Brasil só pode ser originária de fornecedores de países com os quais o Mapa já tenha estabelecido os requisitos fitossanitários. Esse material deve ser certificado pelas autoridades fitossanitárias do país exportador.

O ministério, antes de autorizar a importação da semente de determinado país, realiza análise de risco de pragas para identificar quais pragas podem ser introduzidas por aquelas sementes. A partir disso, ficam estabelecidas medidas fitossanitárias a serem cumpridas no país de origem para minimizar o risco de introdução de novas pragas no Brasil por meio da importação desse material.

A importação de vegetais sem autorização pode facilitar a entrada de pragas ou doenças que não existem ou estão erradicadas no país, além de causar prejuízos econômicos. Para evitar o risco fitossanitário, o Mapa atua no controle do e-commerce internacional com equipe dedicada a fiscalizar e impedir a entrada de material sem importação autorizada no país.

PR faz alerta sobre semente da China vinda em encomendas misteriosas

Sementes estão chegando em endereços no Paraná – Foto: Adapar
Sementes estão chegando em endereços no Paraná – Foto: Adapar

Pacotes de sementes como “brindes” de produtos comprados pela internet, ou até sem a solicitação de qualquer encomenda, podem trazer pragas, doenças e plantas daninhas que não existem no País, capazes de causar graves prejuízos à agricultura e ao meio ambiente.

O alerta é da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) após relatos em alguns estados brasileiros, inclusive no Paraná.

Além disso, a instituição de defesa agropecuária orienta que o material não seja aberto, descartado e, muito menos, utilizado. Quem receber os pacotes com semente da China deve procurar uma unidade da Adapar mais próxima, ou do Ministério da Agricultura.

A instituição de defesa agropecuária orienta que o material não seja aberto, descartado e, muito menos, utilizado.

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