No auge de casos de coronavírus em 2021: falta de oxigênio e medicamentos

Série 2º ano de pandemia

No auge de casos de coronavírus em 2021: falta de oxigênio e medicamentos

Reportagens Especiais por Luciana Peña em 16/03/2022 - 08:40

O drama da falta de oxigênio e medicamentos para intubação no auge de casos da segunda onda de coronavírus. É o que você confere no terceiro episódio da série de reportagens sobre o segundo ano da pandemia de Covid-19

No auge de casos de coronavírus, no segundo ano da pandemia, ainda havia muita aglomeração. Nos fins de semana, era comum a fiscalização flagrar festas clandestinas com centenas de pessoas.

Quando o apelo das autoridades não impactava mais, um vídeo, que teria sido divulgado por profissionais do Serviço Móvel de Urgência (Samu), chamou a atenção.

Nele, um profissional explicava de forma didática o que era a intubação de um paciente. 

Procedimento que ganhou popularidade durante a pandemia e que se tornou o maior receio de quem entrava numa unidade de saúde com suspeita de Covid.

O objetivo do vídeo era apelar para o bom senso, principalmente dos jovens que se arriscavam nas aglomerações.

Mas se a intubação já era um horror em si, imagina realizar o procedimento sem os medicamentos necessários, como por exemplo, relaxantes neuro musculares.

Pois no auge da crise nos hospitais, os medicamentos começaram a desaparecer do mercado. Com a alta demanda, os fabricantes não deram conta e os lotes comprados por hospitais de Maringá não foram entregues no prazo.

O então secretário Marcelo Puzzi lembra do dia em que hospitais públicos precisaram socorrer hospitais privados. [ouça o áudio acima]

Nem só medicamentos começaram a faltar. O oxigênio medicinal que mantinha a respiração dos pacientes intubados também evaporou. 

O consumo de oxigênio nas UTIs aumentou espantosamente. Em Maringá, uma situação deu o tom do desespero na rede pública de saúde. Em março, na UPA Zona Sul, a sobrecarga fez a pressão do sistema cair e dificultou a chegada do oxigênio até os pacientes internados. Um idoso morreu após a queda no nível de oxigênio.

Em nota a Prefeitura de Maringá informou que a apuração aberta para investigar a morte do paciente foi concluída. O Comitê Interno de Investigação Multiprofissional do Hospital Municipal enviou a análise do caso ao Ministério Público.

A conclusão é que não compete ao HM “definir nexo causal porque se tratava de um paciente muito grave, com inúmeros agravantes e além de várias comorbidades existentes”. 

Naquele momento da pandemia, cidades investiam em depósitos maiores de oxigênio e até em usinas para fabricar o próprio insumo. Maringá tentou construir uma usina.

Mas segundo a prefeitura, uma comissão avaliou que não seria viável para o município, porque o Hospital Municipal e a UPA Zona Sul não poderiam ficar sem o contrato de fornecimento de O2.

É que as usinas fabricam oxigênio com 85% a 95% de pureza, mas o paciente não pode receber um oxigênio com pureza inferior a 95%.

Ou seja, quando baixasse a qualidade da usina, o tanque de oxigênio, que tem 99% de pureza, teria que ser acionado.

A crise do oxigênio passou. Voltamos a respirar mais aliviados com o avanço da vacinação. Ficava a dor pela perda de amigos e familiares. É o que você confere no próximo episódio.

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